Cidades Inteligentes

Cidades inteligentes no Brasil: o que mostra o ranking CSC 2025

Cidades inteligentes no Brasil: Vitória lidera o ranking Connected Smart Cities 2025, com 75 indicadores e 5.570 municípios avaliados. Veja o top 10 e os eixos.

Vitória (ES) é a cidade mais inteligente e conectada do Brasil segundo o Ranking Connected Smart Cities 2025, com 61,27 pontos. O resultado foi apresentado em 23 de setembro de 2025, em São Paulo, e é a edição mais recente com resultados públicos verificáveis até o fim de setembro de 2026. Pela primeira vez o estudo avaliou todos os 5.570 municípios do país, com 75 indicadores distribuídos em 13 eixos temáticos. Florianópolis (SC), líder em 2023 e 2024, caiu para o segundo lugar, e Niterói (RJ) subiu para o terceiro.

O que mudou na metodologia em 2025

O ranking existe desde 2015 e chegou a dez publicações com a edição de 2024. A versão de 2025 abriu um novo ciclo de dez anos, com horizonte em 2035, e trouxe três mudanças de peso para quem usa o estudo como referência de gestão.

A primeira é a abrangência. Até 2024, o estudo mapeava apenas os 656 municípios com mais de 50 mil habitantes, conforme o Censo 2022 do IBGE. Em 2025, a análise passou a cobrir os 5.570 municípios, o que permite comparar cidades pequenas entre si e com seus vizinhos regionais.

A segunda é a base normativa. Os indicadores passaram a seguir as normas ISO ABNT 37120 (indicadores de serviços urbanos e qualidade de vida), 37122 (cidades inteligentes), 37123 (cidades resilientes) e 37125, além de métricas próprias. Os 13 eixos cobrem 19 temas dessas normas e tratam a inovação como elemento transversal.

A terceira é o acesso aos dados. Os resultados passaram a ser consultados na plataforma Plancity, da Scipopulis, que permite visualização interativa e comparação por níveis de desenvolvimento. Os municípios puderam enviar dados próprios durante as inscrições, abertas até 11 de junho de 2025.

O estudo é conduzido pela Plataforma Connected Smart Cities em parceria com a SPIn (Soluções Públicas Inteligentes) e a Scipopulis.

ItemEdição 2024Edição 2025
Municípios analisados656 (acima de 50 mil habitantes)5.570 (todos)
Indicadores7475
Eixos temáticos1113
Base normativaIndicadores própriosISO ABNT 37120, 37122, 37123 e 37125, mais métricas próprias
Líder geralFlorianópolis (SC)Vitória (ES)

Entre os eixos de 2025 estão economia e finanças, governança, meio ambiente e mudanças climáticas, educação, habitação e planejamento urbano, mobilidade urbana, saúde, energia, telecomunicações, inovação e empreendedorismo, agricultura local e segurança alimentar, e segurança.

Uma consequência prática: como a metodologia mudou, a comparação direta de posições entre 2024 e 2025 exige cautela. Uma cidade que subiu ou caiu pode ter sido afetada tanto pelo próprio desempenho quanto pela troca de indicadores e pela entrada de milhares de novos municípios na base.

As dez cidades mais inteligentes do Brasil em 2025

PosiçãoMunicípioObservação
1Vitória (ES)61,27 pontos; era 2ª em 2024
2Florianópolis (SC)Líder em 2023 e 2024; 1ª no eixo de inovação e empreendedorismo
3Niterói (RJ)Era 5ª em 2024; 1ª no eixo de economia e finanças
4São Paulo (SP)Maior cidade do país no top 5
5Curitiba (PR)Era 4ª em 2024
6Recife (PE)Melhor colocada do Nordeste
7Barueri (SP)Município da Região Metropolitana de São Paulo
8Santos (SP)Líder do eixo de urbanismo em 2024
9Salvador (BA)Segunda capital nordestina no top 10
10Rio de Janeiro (RJ)Fecha a lista

O Sudeste ocupa seis das dez posições, o Sul tem duas e o Nordeste, duas. Nenhuma cidade do Norte ou do Centro-Oeste aparece entre as dez primeiras.

Na Região Norte, a lista regional de 2025 é liderada por Belém (PA), seguida de Manaus (AM) e Araguaína (TO). O Pará coloca quatro municípios entre os dez primeiros da região: Belém, Parauapebas, Barcarena e Paragominas.

O que explica a liderança de Vitória

A Prefeitura de Vitória atribui o resultado a indicadores de conectividade, educação e saúde. Segundo o município, 100% da população tem cobertura de rede 5G e a banda larga fixa alcança velocidade média de 326,4 Mbps. Na educação, o número de escolas de tempo integral passou de 4 em 2021 para 41 em 2025, e a cidade ficou em 2º lugar nacional em alfabetização de crianças até o 2º ano. Na saúde, a prefeitura informa ter reduzido as filas de exames e consultas especializadas e zerado a fila de mamografia.

A capital capixaba já vinha no topo: foi 2ª colocada em 2024 e liderou o eixo de saúde naquele ano. A mudança para a nova metodologia, com peso maior para conectividade e serviços básicos medidos por normas ISO, favoreceu uma cidade que já apresentava bom desempenho em várias frentes ao mesmo tempo.

Niterói e a trajetória de longo prazo

Niterói é o caso mais claro de evolução contínua. Segundo a prefeitura, a cidade estava em 17º lugar na primeira edição, em 2015, chegou ao 11º em 2020, ao 5º em 2023 e 2024 e ao 3º em 2025. É o único município que não é capital entre os cinco primeiros da classificação geral. Em 2025, lidera o eixo de economia e finanças; em 2024, havia liderado o de governança.

O padrão mostra que o ranking premia consistência. Posições de topo resultam de melhorias sustentadas em finanças públicas, serviços e infraestrutura ao longo de vários mandatos, e dificilmente de um único projeto de tecnologia.

Líderes por eixo: municípios fora do top 10

A leitura por eixo é mais útil para o gestor do que a classificação geral. Em 2025, Barretos (SP), fora do top 10 geral, ficou em 1º lugar nos eixos de saúde e de agricultura local, urbana e segurança alimentar. Santana de Parnaíba (SP) liderou o eixo de educação. Florianópolis ficou à frente em inovação e empreendedorismo, favorecida por sua base de startups.

Em 2024, com a metodologia anterior, os líderes por eixo foram Santos em urbanismo, São Paulo em mobilidade e acessibilidade, Curitiba em tecnologia e inovação, Vitória em saúde e Niterói em governança.

Esses resultados indicam que municípios médios podem alcançar desempenho nacional em áreas específicas sem ocupar posições altas no índice geral. Para uma prefeitura, a pergunta relevante é em quais eixos ela está abaixo de cidades de porte e renda semelhantes.

O ranking frente aos dados oficiais de TIC nas prefeituras

O ranking mede resultados urbanos. As pesquisas do Cetic.br medem a capacidade digital das prefeituras, e os dois olhares se completam.

A pesquisa TIC Governo Eletrônico 2017 foi a última a divulgar um recorte específico sobre o tema: 18% das prefeituras declararam ter algum plano ou projeto de cidade inteligente, proporção que chegava a 77% nas capitais e a 70% nos municípios com mais de 500 mil habitantes. Na edição de 2023, 91% das prefeituras ofereciam ao menos um serviço on-line ao cidadão.

A TIC Governo 2025 mediu pela primeira vez o uso de inteligência artificial nas prefeituras: 27% dos municípios usaram IA nos 12 meses anteriores à pesquisa. O índice chega a 85% nas cidades com mais de 500 mil habitantes e a 81% nas capitais, mas fica em 22% nos municípios com até 10 mil habitantes. A mesma pesquisa aponta Internet das Coisas em 20% dos órgãos federais e 29% dos órgãos estaduais.

A distância entre capitais e municípios pequenos aparece nos dois conjuntos de dados. O top 10 do ranking é formado por capitais e cidades médias de alta renda; as pesquisas do Cetic.br mostram que essa concentração também existe na adoção de tecnologia pela administração.

Como usar o ranking na gestão municipal

O ranking é uma fotografia comparativa, calculada em grande parte com dados públicos. Usado com método, ele ajuda a priorizar investimentos. Um roteiro possível:

  1. Consulte a posição do município na plataforma Plancity e anote a colocação em cada um dos 13 eixos, além da geral.
  2. Defina um grupo de comparação com cinco a dez municípios de porte, região e receita semelhantes. Comparar uma cidade de 30 mil habitantes com Vitória ou São Paulo tem pouca utilidade.
  3. Identifique os dois ou três eixos em que o município fica mais distante do grupo de comparação. Esses são os candidatos a prioridade.
  4. Verifique se os dados usados pelo estudo estão atualizados. Boa parte dos indicadores vem de bases públicas, e registros desatualizados ou incompletos derrubam a pontuação sem refletir a realidade.
  5. Participe da coleta. Em 2025 o estudo aceitou dados enviados diretamente pelos municípios. Designar um responsável na prefeitura para esse envio evita lacunas.
  6. Transforme as metas em indicadores das normas ISO 37120 e 37122, que passaram a ser a base do ranking. Assim, o planejamento municipal e o ranking passam a medir as mesmas coisas.
  7. Acompanhe a série histórica. O novo ciclo tem horizonte em 2035, e a comparação ano a ano recomeça sobre a base de 2025.

Erros comuns na leitura do ranking

  • Tratar a posição geral como meta de governo. O índice agrega 75 indicadores; subir posições sem melhorar serviços é pouco provável e, quando ocorre, costuma decorrer de correção de dados.
  • Comparar 2025 com anos anteriores sem considerar a mudança metodológica.
  • Atribuir o resultado a um único projeto, como um aplicativo ou um centro de operações. Os indicadores de saneamento, educação, saúde e finanças pesam tanto quanto os de tecnologia.
  • Ignorar a dimensão regional. Estar entre os dez primeiros do Norte ou do Nordeste já indica bom desempenho relativo em regiões com menor infraestrutura de base.

O que acompanhar a seguir

O evento Connected Smart Cities de 2026, em São Paulo, estava programado para 28 a 30 de setembro de 2026. Até a data de fechamento deste texto, não havia resultados públicos da edição 2026 do ranking. Quando forem divulgados, os pontos a observar são a manutenção ou não da liderança de Vitória, o desempenho das capitais do Norte e do Centro-Oeste e, principalmente, o comportamento dos municípios com menos de 50 mil habitantes, que entraram na base em 2025 e ainda não têm série histórica.

Fontes

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