Robótica

Financiamento para inovação e robótica: BNDES, Finep, Embrapii e NIB

Financiamento para inovação e robótica no Brasil: Mais Inovação em TR, Embrapii com até 1/3 não reembolsável, Lei do Bem e R$ 750 bi da Nova Indústria Brasil.

A Nova Indústria Brasil (NIB) chegou a R$ 750 bilhões em recursos previstos até o fim de 2026, depois que BNDES e Finep anunciaram, em 22 de junho de 2026, mais R$ 140 bilhões para a política industrial: R$ 102,5 bilhões do BNDES e R$ 37,5 bilhões da Finep. Até junho de 2026, o BNDES já havia aprovado R$ 220 bilhões em operações da NIB, 73,3% dos recursos destacados pelo banco. Para empresas que pretendem investir em robótica, automação ou desenvolvimento de produtos com tecnologia, o volume disponível é alto e as condições, em várias linhas, são indexadas à Taxa Referencial (TR). O que falta, em geral, é saber qual instrumento se ajusta a cada tipo de projeto.

A Nova Indústria Brasil e a missão de transformação digital

A NIB foi entregue ao presidente da República pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI) em 22 de janeiro de 2024, com metas até 2033 e R$ 300 bilhões previstos inicialmente para financiamento até 2026. O plano é organizado em seis missões. A Missão 4, de transformação digital, é a que mais interessa a projetos de robótica e automação.

A meta da Missão 4 divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) no lançamento foi transformar digitalmente 90% das empresas industriais brasileiras, contra 23,5% à época, e triplicar a participação da produção nacional nos segmentos de novas tecnologias. As áreas prioritárias incluem indústria 4.0, desenvolvimento de produtos digitais e produção nacional de semicondutores. Em setembro de 2024, o governo anunciou investimentos de R$ 186,6 bilhões associados à transformação digital da indústria.

Os recursos da NIB chegam às empresas principalmente pelo BNDES e pela Finep, divididos em eixos como inovação e digitalização, exportação, economia verde e produtividade. Segundo o BNDES, as aprovações para projetos de inovação somaram R$ 21,9 bilhões entre janeiro de 2023 e junho de 2025, alta de 185% sobre o período anterior de mesma duração.

Mais Inovação: crédito em TR para projetos de inovação

O programa Mais Inovação foi lançado por BNDES, Finep e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) com R$ 60 bilhões previstos até 2026, para empresas de todos os portes, combinando crédito e recursos não reembolsáveis. A taxa original das linhas de crédito era TR + 2% ao ano.

As condições foram revistas depois do lançamento. Segundo a consultoria Macke, a linha "Mais Inovação" passou de TR + 2,0% para TR + 2,5%, e a Finep reintroduziu a linha "Inovação para Desempenho", com TR + 6,0%. Antes de montar o projeto, confira as taxas vigentes diretamente no site da instituição, porque a Finep altera periodicamente as condições para grandes empresas.

Finep: carteira recorde e linhas descentralizadas

A Finep encerrou 2025 com a maior carteira de crédito de sua história, de R$ 22 bilhões, faturamento recorde de R$ 2 bilhões e lucro líquido de R$ 815 milhões. Entre janeiro e setembro de 2025, os desembolsos chegaram a R$ 14 bilhões, valor equivalente a todo o crédito aprovado em 2023. Somando Finep e Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), a previsão para 2025 era de mais de R$ 20 bilhões em investimentos.

A Finep opera três modalidades principais:

  • crédito direto, para projetos de maior porte, com as taxas em TR mencionadas acima;
  • crédito descentralizado, pelo programa Inovacred, operado por agentes financeiros regionais e voltado a empresas menores, que teve recordes em 2025 e novos recursos para 2026;
  • subvenção econômica, com recursos não reembolsáveis, distribuídos por chamadas públicas temáticas.

Para projetos de robótica, a subvenção depende de haver chamada aberta com tema compatível, por isso o calendário de chamadas da Finep precisa ser acompanhado com antecedência.

BNDES e Finep somados

Segundo balanço citado pela imprensa, BNDES e Finep aprovaram R$ 71,5 bilhões para inovação desde 2023, sendo R$ 35,9 bilhões contratados pela Finep e R$ 35,6 bilhões pelo BNDES. O BNDES costuma ser o caminho para investimentos em máquinas, equipamentos e modernização de plantas, enquanto a Finep concentra projetos com risco tecnológico e desenvolvimento de produto.

Embrapii: pesquisa aplicada com custo compartilhado

A Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) funciona de outra forma. Em vez de emprestar dinheiro, ela financia parte de projetos de pesquisa e desenvolvimento executados por uma Unidade Embrapii (centro de pesquisa credenciado) em parceria com a empresa.

O modelo padrão é este:

  • a Embrapii aporta recursos não reembolsáveis de até um terço (33%) do valor do projeto;
  • os dois terços restantes são negociados entre a Unidade e a empresa;
  • a Unidade pode entrar com recursos econômicos (equipe, laboratório) ou financeiros;
  • a empresa entra com contrapartida financeira.

Programas especiais operam com percentuais maiores, e há parceria com o Sebrae voltada a micro e pequenas empresas. Há também programas setoriais, como o voltado à cadeia automotiva no âmbito do Programa Mover.

Em 2025, a Embrapii contratou 811 novos projetos, recorde em 12 anos de operação e alta de 25,35% sobre 2024. A rede tem 90 Unidades credenciadas e nove Centros de Competência, com presença em todos os estados. Entre as tecnologias habilitadoras mais demandadas pelas empresas em 2025, inteligência artificial respondeu por 31% e integração de sistemas por 15%. Para uma empresa que quer desenvolver uma célula robótica, um sistema de visão computacional ou um algoritmo de controle, a Embrapii reduz o custo e dá acesso a laboratórios que a empresa não teria sozinha.

Lei do Bem: incentivo fiscal para quem já investe em P&D

A Lei nº 11.196/2005, conhecida como Lei do Bem, permite a empresas no regime de lucro real deduzir dispêndios com pesquisa e desenvolvimento do cálculo do imposto de renda e da CSLL. No ano-base 2023, segundo dados divulgados pelo MCTI, 3.878 empresas usaram o benefício, 11% a mais que em 2022. Os investimentos declarados em P&D foram de quase R$ 42 bilhões, com renúncia fiscal de R$ 9 bilhões.

A distribuição é concentrada: 57,5% das empresas beneficiárias estavam no Sudeste e 31,2% no Sul. Os principais setores foram software, mecânica e transporte, eletroeletrônico e química e petroquímica. A declaração é feita anualmente pelo formulário FormP&D do MCTI.

Comparação dos instrumentos

InstrumentoTipo de apoioMelhor uso em robótica
BNDES (linhas da NIB e Mais Inovação)Crédito de longo prazoCompra de robôs, modernização de linhas, projetos de inovação de maior porte
Finep crédito diretoCrédito em TRDesenvolvimento de produto com risco tecnológico
Finep InovacredCrédito descentralizadoPequenas e médias empresas, via agentes regionais
Finep subvençãoNão reembolsável, por chamadaProjetos alinhados a temas das chamadas
EmbrapiiAté 1/3 não reembolsávelP&D aplicado com centro de pesquisa credenciado
Lei do BemIncentivo fiscalEmpresas no lucro real com P&D contínuo

Os instrumentos podem ser combinados. Um arranjo frequente é desenvolver um protótipo com a Embrapii, deduzir os gastos próprios de P&D pela Lei do Bem e financiar a industrialização com crédito do BNDES ou da Finep, desde que o mesmo dispêndio não seja contado duas vezes.

Passo a passo para estruturar o pedido

  1. Classifique o projeto. Compra e integração de robôs disponíveis no mercado é investimento em modernização. Desenvolvimento de robô, software de controle ou aplicação nova é inovação. Essa distinção define a instituição e a linha.
  2. Verifique o enquadramento na NIB. Projetos ligados à Missão 4 (transformação digital) ou às demais missões tendem a ter prioridade. Descreva o vínculo de forma explícita.
  3. Levante as condições vigentes. Taxas, prazos de carência e exigências de garantia mudam. Consulte os sites do BNDES e da Finep na data da proposta.
  4. Organize a contabilidade de P&D. Tanto a Lei do Bem quanto a prestação de contas de Finep e Embrapii exigem separar horas, materiais e serviços por projeto.
  5. Escolha o parceiro de pesquisa, se for o caso. Consulte a lista de Unidades Embrapii com competência em robótica, automação, visão computacional ou IA.
  6. Prepare garantias. Para crédito, garantias são frequentemente o gargalo, principalmente para empresas menores. O Inovacred e os agentes regionais podem ser alternativa.
  7. Planeje indicadores. Instituições de fomento pedem metas mensuráveis: produto lançado, patente depositada, ganho de produtividade, redução de custo.

Erros comuns

  • Apresentar compra de equipamento como se fosse projeto de inovação, o que leva a enquadramento errado e atraso.
  • Esperar a chamada de subvenção abrir para começar a preparar o projeto.
  • Contar o mesmo gasto em mais de um incentivo.
  • Subestimar a exigência documental da Lei do Bem e ficar sujeito a glosa em fiscalização.

Prazos a acompanhar

Os R$ 750 bilhões da NIB têm horizonte até dezembro de 2026. Para 2027, a disponibilidade dependerá de novos aportes do BNDES, da Finep e do FNDCT, a serem definidos no orçamento e nos planos das instituições. Na Embrapii, as chamadas de credenciamento de novas Unidades, como a Chamada Pública nº 03/2025, ampliam a oferta de centros de pesquisa. Na Lei do Bem, o prazo anual de entrega do FormP&D é a data que as empresas do lucro real não podem perder.

Fontes

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